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Saindo da linha

Saindo da linha  Naquela fria madrugada do mês de agosto, o guarda-noturno fazia a tradicional ronda. De repente, atrás de um poste surge a figura cambaleante de um homem. Mal podia falar e manter-se de pé. Borracho, trazia pendurada na ponta do dedo uma chave. Balbuciava que era da sua casa.

Ali estava o exemplo vivo do boêmio. Vinha de mais um festerê. Ao ser interpelado pelo guarda sobre o que estava fazendo ali naquele horário e naquele estado, conseguiu rosnar uma resposta nada convincente:

– Estou esperando que a porta da minha casa passe por aqui…

A história é velha e conhecida, mas serve para mostrar que o indivíduo quando alcoolizado, mesmo não podendo falar direito, mesmo dizendo bobagens, consegue refletir sobre sua condição de bêbado. Neste caso, a bobagem de esperar a sua casa passar por ali não deixou de mostrar a sua consciência de que naquele estado jamais conseguiria até ela, pois mal podia caminhar.

Numa noite, da semana passada, encaminhava-me para uma reunião quando passei na frente de um bar. Estava lotado, com muitas pessoas conhecidas do nosso meio. Parei para cumprimentar um e outro e, antes de seguir viagem, observei que dois cidadãos conversavam em altos brados, elogiavam-se vez que outra, ofendiam-se também, troteando nas palavras num completo estado de bebedeira.

Fiquei pensando no mal que faziam para si e para os outros frequentadores do bar. No meio daquela conversa, ao serem chamados a portarem-se com bons modos, pude ouvir o que um deles disse:

– Eu bebo mas mantenho a linha…

O autor da frase, de fato, fora daquele estado é um cidadão que porta-se com boa conduta, mantém-se na linha, é elogiável. Porém, quando ingere o líquido alcoólico a história se acentua afirmativamente deixando a linha somente na consciência, pois naquele momento ela está completamente torta.

Existe um ditado que diz: “Faça o que eu digo e não faça o que eu faço”. O cidadão consciente ao assistir aquelas cenas, há de seguir à risca o ditado. Ma para aquelas pessoas que se encontram na mesma condição, o ditado se inverte e se personaliza: “Faça o que eu faço e não faças o que eu digo”. Só faltando complementar: “É o máximo!”.

É lamentável, uma dura realidade!

Foto: overmundo.com

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