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Blog do leitor: Novela de Fadas

Saul Teixeira

novela de fadasConfesso que a televisão brasileira, embora tenha muitos programas contestáveis, desempenha importante papel de entretenimento. No entanto, por tratar-se de uma concessão pública, é preciso que seus mentores busquem maior qualidade em suas emissões, que fujam do óbvio, da apelação sexual, da morosidade, do repetitivo.

Numa discussão mais restrita, abordo as novelas. Com fórmulas quase sempre enfadonhas, insossas e longe do ineditismo, acabam transformando a sociedade em um lindo e simplório conto de fadas. No atual folhetim das 21h, da Rede Globo, que termina hoje, dois enredos me causam no mínimo estranheza.

O primeiro deles aborda um casal, outrora feliz, dignos de comercias deNovela de Fadas margarina, mas que não poderia ter filhos. Porém, a esposa acaba realizando inseminação artificial e em nome do sonho de ser mãe, acaba provocando o término da relação e a mágoa do marido.

Este, porém, após meses e meses de afastamento, acaba cuidado da filha de sua antiga companheira para que ela pudesse resolver um determinado impasse. Após nova discussão, acabaram trocando calientes beijos. Alguém tem dúvidas que o casal irá reatar? Que ele, inclusive irá assumir a criança? Convenhamos, nem tudo acaba em flores.

Novela de FadasO outro enredo é ainda mais polêmico. Um dado personagem é o clássico truculento. Agride a esposa, tenta impedir a filha de sair de casa à noite, não é afeito a gestos carinhosos e é abertamente homofóbico. Entretanto, após passar 95% da novela com essa postura, agora que a atração se encaminha para o final, adota atitudes completamente opostas.

Chamado de Baltazar, ele pegou a filha na cama com o namorado, armou o maior barraco, mas depois pediu desculpas. Chorou no ombro do folclórico personagem gay e, ainda por cima, estão insinuando que ele possa ser o anônimo namorado de Crodoaldo Valério. Por favor, estão forçando a barra!Novela de Fadas

É óbvio que a vida é marcada por mudanças, nem tudo é perene, mas alguns aspectos e posturas, querendo ou não, são imutáveis. Não estou defendo o preconceito quaisquer que seja, tampouco, defendo a homofobia, porém, gostaria que os autores se reciclassem. Que tivessem condições de surpreender o telespectador, que tratassem a sociedade com um pouco mais de realismo.

Nem todo o vilão morre ou acaba atrás das grades; nem todo o amor é eterno; nem todo o homofóbico muda de visão. A vida real não é um conto de fadas. Atenção noveleiros, autores e roteiristas: polêmicas à parte, todas as temáticas podem e devem ser abordadas, mas sem forçarmos a barra em nome do politicamente correto.

 SAUL é  jornalista, repórter  do Jornal Correio Rural

saul.teixeira@hotmail.com

Fotos: novomundo.org, br.tv.yahoo.comrevista Contigo e veja.abril.com.br

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