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Inevitável

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INEVITÁVEL ==

Nas diversas vezes que ando pelas ruas da cidade sempre encontro alguém que, lá atrás, compartilhou comigo um pedaço da juventude. No futebol, na escola, nas festas da praça da matriz, nos carnavais, nos bailes do Clube dos Casados, nos cinemas Ideal, Marajó e Radar e nas estadas até altas horas da noite na praça da borracheira, sem perigo algum. É inevitável que, no papo atual, surjam recordações comparativas com situações vividas na velha capital setembrina. Isso não nos torna retrógrados, saudosistas, nostálgicos e nem carcomidos dinossauros. São apenas recordações que vêm à mente de quem tem 74, 75, 76 anos, nascidos em anos onde houve enchente em Porto Alegre e quando se desdobrava a segunda grande guerra mundial, 1941, 1942, 1943.

Pois, terça-feira, conversava com o Érico ali perto da igreja matriz e o assunto caiu justamente nesta coincidência de tantos viamonenses com a nossa mesma idade. Poderia até citar alguns nomes como o Eduardo, o Rogério, o Parobe, o Marquinhos, o Paíca, o Régis, o Lelo, enfim, um rol de velhos amigos, aos quais peço desculpas por não ter citado mais alguns por falta de espaço e também porque a memória já pede bateria nova quando é forçada a recordar.

Dizia-me o Érico que naqueles anos, início da década de 1940, os jovens solteiros correram para se casar para evitar que fossem chamados para a guerra. Lógico, um aspecto figurativo, pois na realidade, entre eles e as esposas havia um grande amor que fez nascer esta quantidade enorme de viamonenses, que estão aí andando pelas ruas desta cidade que viram se desenvolver e onde criam seus filhos e seus netos. E onde batem um papo, de vez em quando, para matar a saudade e manter a velha amizade.

VIM, VI E VENCI

O tópico acima fala sobre os viamonenses nativos. Mas nós temos muitos e muitos outros amigos que vieram de outras localidades e que residem na cidade há anos, fizeram aqui suas vidas, casados e casadas com gente de nossa terra e que fazem a vida da nossa santa terrinha. São aquelas pessoas que vieram para cá e cresceram com o seu trabalho, sua dedicação e passaram a fazer de Viamão o seu lar, a sua fonte de vida e de trabalho, participando dos diversos segmentos da sociedade com dedicação e zelo.

Estas pessoas, se quiserem, podem usar esta expressão: “Vim, vi e venci”. Originalmente do Latim: ”Vini, vidi, vinci. Esta sentença foi pronunciada pela primeira vez no ano 45 a.C. pelo famoso Julio Cesar, hábil imperador romano e não menos hábil escritor. Pronunciou-a quando de sua vitória sobre Pompeu que tentava derrubá-lo do poder.

Através da história, ultrapassando as eras, o “vini, vidi, vinci” de Cesar nos lega o prazer de poder pronunciá-lo quando alcançamos êxito fora dos nossos domínios. Pois os nossos grandes amigos, que vieram residir e trabalhar em Viamão, que aqui fixaram residência, podem se transformar em Cesar e gritarem a veemente frase.

PESSOAS DO FUTEBOL

Esta semana, disputando a Libertadores da América, o Grêmio foi a Mendoza, Argentina, jogar contra o Godoy Cruz, cujo nome original é Godoy Cruz Antonio Tomba. Assim como temos cidade com nomes de pessoas famosas, no futebol surgem alguns tidos como raridades, embora muitos clubes adotem o nome da cidade natal.

Também temos um clube boliviano, de Cochabamba, o Jorge Wilstermann. Aqui no Brasil, que eu lembre, temos o Marcilio Dias e o Sampaio Correa. Sem esquecer o Vasco da Gama e o J. Malucelli. Em Viamão, o Tamoio poderia ter o nome de uma senhora: Maria Lopes. É que ali, onde está o estádio Edgard Leitão Teixeira, na época de fundação do rubro-negro, a área era chamada de “Várzea da Maria Lopes”. O Clube Atlético União poderia ser Alencarino Scarpetti, conhecido homem da Farmácia Brasil que incentivou jovens a fundar este clube que atua até hoje. Lá nas bandas do Mendanha existiu o Guarani e que poderia ser Carlos Pinto Godoy, em cuja propriedade tinha o seu campo de futebol.

O CARREIRISMO POLÍTICO

O segmento político-partidário no Brasil passa, no momento, por mais uma grave crise. Neste segmento, de cunho ideológico-profissional, ramificam-se as performances daqueles que o escolhem como a forma direta e mais rápida de chegarem ao poder e, para que tal aconteça, são usadas várias estratégias.

Queremos crer que a maioria utiliza a honestidade de caráter, a educação, o bom senso para ousar em busca dos melhores ideais, para si e para a população. Não esqueçamos, porém, que há o outro lado da medalha, onde aparecem os crápulas, os aproveitadores, corruptos e chantagistas, ou seja, aqueles que amordaçam as boas ações e os sãos intentos, que fazem da política o seu habitat de perversão, de sacanagem, denegrindo a imagem da sociedade. E nós, brasileiros, agora, estamos nas mãos desta turma.

Infelizmente a carreira política no nosso país, neste instante, é uma atividade negativa, tornando-se empecilho para o surgimento de novas e decentes lideranças.

E por que está criada esta situação?

Por diversos motivos, sendo o principal deles a questão dinheiro, salários, ganhos… A respeito disso, o empresário, médico, professor Luiz Carlos da Silveira, que já foi Ministro da Saúde e Deputado Federal, assim se expressou com relação à origem do mal: “…Sem dúvida o profissionalismo político se deve aos altos subsídios e mordomias legais ou institucionalizadas, aspectos que precisam ser reconsiderados, ainda que difíceis de enfrentamento porque mudanças dependem dos legisladores, que são exatamente esses mesmos políticos, sempre indispostos a decisões que ameacem o corporativismo”…

E ele cita que tudo começa lá nas Câmaras Municipais onde é grande a importância de eleger-se e reeleger-se, manter o mandato. Num relance, pode-se dizer que um parlamentar (em todos os níveis) é como se fosse “despachante do povo” junto aos órgãos públicos de atendimento social que aceitam e facilitam a intermediação porque o mandatário maior também depende do apoio deles. Convém salientar que o Brasil é um dos poucos países que mantém tais critérios de remuneração nos Legislativos.

Desde 2009 tramitam no Congresso propostas de redução e até mesmo extinção dos salários dos vereadores, deputados e senadores. O carreirismo político e o alto preço das campanhas inibem cidadãos com disposição para trabalhar, mas com poucas posses para enfrentar os “profissionais” acabam desestimulados. Em consequência, cai o nível das representações municipais, estaduais e federais, existe pouca renovação tanto de nomes quanto de ideias, o que inevitavelmente redunda em prejuízos para a Nação.

Lamentavelmente, é este o quadro em que vivemos.

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