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Jaulas e gaiolas

(LEIA NO BLOG DETALHES – MILTON SANTOS, JORNALISTA)>>>>

JAULAS E GAIOLAS ===

Basta dar uma voltinha pelas ruas do centro da cidade e encontramos velhos amigos, que também exercitam as pernas em caminhadas diárias. E velhos amigos trazem, num lapso pequeno que seja, uma ponta de recordação de um determinado assunto que transcorreu lá atrás.

Um certo dia perdido na contagem do tempo, alguém levantou uma ideia até certo ponto cômica e macabra, perpetrada por uma mente doentia, com certeza. Passando por uma dificuldade financeira, o infeliz pensa contrair um vultoso empréstimo e fazer um seguro bem vantajoso. Depois encheria o porta-malas do carro com um carregamento de balas e caramelos, rumando para as praias. Ali percorreria o comércio da orla intitulando-se vendedor-representante dos produtores daquelas gostosuras. Depois de bem identificado, tudo estaria encaminhado de acordo com o que havia pensado. O satânico da premeditação vem agora. No outro dia, ao entardecer, numa praia isolada e sem visibilidade, em meio aos cômoros, ele abandona o carro cheio de caramelos e com as suas roupas espalhadas no estofamento onde estavam o relógio e os documentos. Caminha até a beira do mar deixando rastro dos passos. Depois, por dentro da água segue a pé, noite a dentro, para outra localidade. Estava ali simulado o malfadado banho que redundou no afogamento do astuto vendedor. Nunca mais o encontrariam e a família ficaria com um carro e um bom seguro.

Bah! Estranha história que só pode sair de mente doentia. Ainda bem que era conversa fiada de amigos entre piadas de gostosas risadas. Conversas que vêm ao nosso pensamento quando nos encontramos nas caminhadas pelas ruas da cidade.

Estranhas ou não, histórias ficam circulando por aí. Isso dá ensejo de imaginarmos coisas. Por exemplo, o caso imaginário contado acima, leva-nos e fazer uma comparação, até certa forma, megalômana. A vida e a personalidade de cada pessoa comparam-se a jaulas e gaiolas. Elas são abertas a vontade de seus donos no momento propício para pensar nisso ou naquilo. Quando abre-se a jaula, o que vêm à mente são as feras. O sujeito cria fantasiosas e inimagináveis histórias, expondo sua podridão. Quando a gaiola se abre, voam os pássaros, dóceis, cantantes, momento que o indivíduo demonstra sua sensatez, carinho e amor. A história se transforma em verdadeiro conto de fadas.

Pois o redator de um jornal, uma revista, um folhetim tem a responsabilidade de cobrar de seus cronistas que o texto chegue na redação no momento oportuno para a publicação. Acontece que o cronista, seja ele autor de texto diário, semana, quinzenal, as vezes não tem um assunto na cabeça e precisa correr para atender o redator no horário certo. Então ele recorre a histórias que nem sempre se coordenam, mas assim mesmo sempre sai alguma coisa. E a busca recorre à transcrição de histórias ouvidas e que abrem jaulas e gaiolas que, por fim, acabam satisfazendo ao cronista na sua tarefa. E aos leitores também, que precisam pensar nas suas jaulas e gaiolas.

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Com a coordenação da Secretaria Municipal de Educação, a Prefeitura iniciou ontem, segunda-feira, dia 21, a 12ª Semana da Pessoa com Deficiência, cuja programação se estende até o dia 28. Palestras, apresentações artistas e outras atividades fazem parte da Semana, que tem a participação de diversas outras repartições municipais e entidades ligadas ao atendimento à deficiência. Pessoas com deficiência são, antes de mais nada, pessoas. Pessoas como quaisquer outras, com protagonismos, peculiaridades, contradições e singularidades. Pessoas que lutam por seus direitos, que valorizam o respeito pela dignidade, pela autonomia individual, pela plena e efetiva participação e inclusão na sociedade e pela igualdade de oportunidades, evidenciando, portanto, que a deficiência é apenas mais uma característica da condição humana.

Brasil já tem ratificada na ONU, um protocolo de ações,  documento que obteve equivalência de emenda constitucional, valorizando a atuação conjunta entre sociedade civil e governo, em um esforço generalizado.

Nesse sentido, buscando defender e garantir condições de vida com dignidade a todas as pessoas que apresentam alguma deficiência, o protocolo prevê monitoramento periódico e avanço na consolidação diária dos direitos humanos ao permitir que o Brasil relate a sua situação e reconheça que, apesar do muito que já se fez, ainda há muito o que fazer.

Outro grande avanço foi a alteração do modelo médico para o modelo social, o qual esclarece que o fator limitador é o meio em que a pessoa está inserida e não a deficiência em si, remetendo-nos à Classificação Internacional de Funcionalidades (CIF). Tal abordagem deixa claro que as deficiências não indicam, necessariamente, a presença de uma doença ou que o indivíduo deva ser considerado doente. Assim, a falta de acesso a bens e serviços deve ser solucionada de forma coletiva e com políticas públicas estruturantes para a equiparação de oportunidades.

Os governos têm dado atenção específica às pessoas com deficiência, com vistas a ampliar o processo de atendimento no Brasil. É necessário, porém, o diálogo permanente na sociedade civil visando à inclusão social, à acessibilidade e ao reconhecimento dos direitos de mais   de 24 milhões de brasileiros e brasileiras com deficiência.

A Prefeitura de Viamão, assim, dá mostras, ao manter a realização da Semana da Pessoa com Deficiência, da plena consciência da responsabilidade sobre a política social voltada a esse segmento e, para isso, busca melhorar a atuação por meio do permanente incentivo às entidades imbuídas dos cuidados para com os deficientes.

Portanto, que a comunidade se aproprie integralmente da responsabilidade e consciência e utilize para a validação dos seus direitos, compreendendo que a equiparação de         oportunidades remete também ao cumprimento de deveres e responsabilidades por    parte de todos os cidadãos.

 

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