Você está aqui: Home » Blogs » Blog do Leitor » ‘Não me entrego’

‘Não me entrego’

(LEIA NO BLOG DO LEITOR)>>>>>

Ana Cecília Romeu – Publicitária e Escritora====

“NÃO ME ENTREGO” —–

O Coronel Jacinto Guedes da Luz, considerado um dos heróis da Revolução Farroupilha, é meu tataravô pela descendência da minha família materna Guedes.

Na semana em que comemoramos a Revolução Farroupilha, cuja data máxima a nos gaúchos é representada pelo 20 de setembro, fiz uma reflexão sobre a história, o passado que justifica ideais do presente e nosso Rio Grande do Sul atual.

A Guerra dos Farrapos foi o maior conflito armado ocorrido em território brasileiro (1835-1845).  O que começou a partir da proposição de melhores condições econômicas, passou a ter caráter separatista. Fato histórico que se transformou em mito fundador da cultura gaúcha, ao estabelecer traços de uma identidade a partir das tradições cunhadas à liberdade e igualdade. Ainda que em outra época, regidas pela classe dominante.

Em pesquisas que fiz, há registros da reputação de valente e audaz líder de combate de Cavalaria atribuída ao Coronel Jacinto Guedes da Luz. Ser descendente desse republicano e carregar um pouco dessa história no sangue acaba por justificar atitudes e pensamentos do tempo presente. E sublinha o quanto um passado nas veias pode dar sentido e iluminar o futuro. Contam que a tropa liderada por Guedes da Luz trazia na divisa inscrita nos chapéus: “Sou do Guedes! Morro seco e não me entrego!”.

Hoje, meu caro Guedes da Luz, o Rio Grande do Sul sofre não somente a causa de problemas econômicos, mas dos inúmeros desmandos e negligências. É vítima de um desgoverno que tem nos colocado num estado de quase falência em vários aspectos regidos por uma falsa batuta a orquestrar o absurdo e ainda rir dele. A ressaltar a questão da violência que tem vitimado fatalmente a muitos gaúchos: quando não temos a certeza de retornar a casa, a nossa família. E agradecemos quando conseguimos.

Tenho certeza de que não foi por esse Rio Grande do Sul que você e os seus lutaram. E agora, séculos depois, a nossa batalha pela sobrevivência é diária; sem lutas, sem cavalos ou armas, apenas reza.

Meu caro tataravô, que a chama gaúcha nunca se apague, que saibamos exigir com bravura o melhor aos nossos pampas, terra tão amada! E que seus versos nunca sejam apagados: “Eu sou aquele que disse. E depois de dizer, não nego. Sou ferrenho farroupilha. Morro seco e não me entrego”. (Cel. Jacinto Guedes da Luz).

 

Comentários (1)

  • Adriano Ribeiro de Souza

    Prezada Ana,

    Em minhas leituras acerca da Revolução Farroupilha, sempre me encantou muito a narrativa em que o Coronel Guedes se apresentava.
    Em algumas buscas, pouco se acha de concreto sobre sua participação na revolução, afora o tema exposto acima, e creio que em seu inteiro teor, esta história deva ser muito mais encantadora do que esse romance que nos chega.
    Peço contato contigo, para que possamos falar sobre o tema e para que me ajudes a compor um pequeno trabalho para as comemorações farroupilhas deste ano.

    Cordialmente,

    Adriano Ribeiro

    Responder

Deixe um comentário

Jornal Correio Rural de Viamão | Rua Marechal Deodoro, 274, Centro, Viamão/RS | Fones: (51) 99430-5151, 98529-8759