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(Opinião) O vestido azul

vestido azulAs administrações se sucedem e cada uma que passa recebe críticas. Ao longo dos anos, a cada dia que passa, chega aqui na redação do CR, diariamente, reclamação sobre entupimento de caixas coletoras de água e esgoto, calçada esburacada, mato que cresce no meio-fio, sujeira jogada nas ruas e não recolhida, esgoto que corre a céu aberto, enfim, críticas e mais críticas. Ao chegar mais uma reclamação, lembrei-me da história do vestido azul. Conhecida, mas vale a pena reproduzi-la. É assim:

Num bairro pobre da cidade morava uma menininha. Bonita e inteligente, mas a mãe não dava a ela os cuidados necessários de higiene. Andava suja, descabelada, vestindo roupas esfarrapadas. E nestas condições ela frequentava a escolinha do bairro, onde estudava e era uma das mais aplicadas alunas.

A professora ficava triste com a situação da menininha e procurava ajudá-la compadecendo-se daquela situação de penúria e sujeira. Um dia separou um pouco do dinheirinho de seu salário e deu de presente à menininha algumas peças de roupa e um lindo vestido azul.

A mãe, ao ver o lindo vestido que a filha ganhara, conscientizou-se da realidade e decidiu que a partir daquele instante ela tomaria banho todos os dias, seria penteada e estaria sempre bem-vestida. O pai, ao ver aquela transformação,  disse à esposa que uma filha tão bonita, tão limpa, tão bem-vestida não poderia morar numa casa velha, toda cheia de remendos, com mato em volta, com goteiras. Nas horas de folga, então, resolveu botar mãos à obra e passou a reformar a residência, sendo que em poucos dias a casa estava toda pintada, com telhas novas, cercada, com um belo jardim todo gramado e calçadas de ladrilho. Os vizinhos ficaram envergonhados ao ver a bela casa e passaram a reformar, também, as suas moradias. Um cidadão, que passava todos os dias por aquela rua, notou que a rua transformara-se, ficara bela, alegre, colorida. Com sua influência foi até o prefeito e aos vereadores da cidade, explicou o ocorrido e pedindo ajuda. Não demorou muito e o poder público asfaltou não só aquela rua, mas também todo o bairro. Respiravam, todos, ares de cidadania.

Tudo começou com um lindo vestido azul.

Não era intenção da professora transformar a rua, o bairro. Ela apenas fez aquilo que estava a seu alcance. Na sequência, todos lutaram por melhorias.

Saindo da história, será que estamos fazendo a nossa parte ou apenas apontamois as falhas. É difícil mudar o estado das coisas, mas é fácil varrer a calçada. É difícil manter o mundo mais bonito, mas é possível dar um vestido azul a uma menina pobre e suja. Então, façamos a nossa parte…

Foto: produto.mercadolivre.com.br e cca-online.nl

Comentários (1)

  • Bruna Medeiros

    Ok, Milton…bonito texto..legal a história… realmente cabe a cada um fazer a sua parte para alcançarmos a evolução enquanto sociedade e município. Mas “o vestido azul” do Correio Rural deveria ser o de dar a voz aqueles que JUSTIFICADAMENTE clamem pela divulgação dos problemas que não são resolvidos talvez por nem todos os poderes representativos, estâncias e esferas governamentais terem essa “consciência” …. Muitas vezes podemos até vermos “remendos azuis” em “trapos”, talvez com com intuito de se afirmar que se fez algo…mas o vestido azul MESMO é uma metáfora que até o editorial do jornal deve se perguntar se está buscando fazer que exista. Eu pago IPTU e não vou patrolar a minha rua, eu votei e cobrei do vereador que se elegeu que ele faça o que se comprometeu: mas não vou eu criar leis para que o município saia do “limbo” em que se encontra… Em Viamão a história que acho mais adequada AINDA HOJE é aquela do rei que mandou fazer uma roupa que só os inteligentes enxergavam, que todos “súditos” elogiavam ou se mantinham calados para não se comprometer e não se expor, mas a verdade é que todos viam e sabiam que o rei andava NU… Sem “ranços” políticos: o rei são nossos governantes e poderes públicos ; a “roupa” é o que continuamos não tendo em Viamão, os “súditos” são aqueles que se curvam e se calam frente a realidade; e o povo de Viamão é quem ainda vive de analogias e historinhas bonitinhas. PS: Eu quero um vestido azul sempre por parte do Correio Rural… abç Bruna Medeiros / Leitora e moradora de Viamão.

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