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Qualidade técnica, lesões e favoritismo: a saga do Grêmio no histórico Tri da América

(LEIA NO BLOG DOS ESPORTES – SAUL TEIXEIRA, JORNALISTA)>>>>

Sonho do Tri

A melhor parte do sonho é materializa-lo. Parabéns à nação de Três Cores pela maior Glória das Américas. Futebol é apaixonante por ser plural e democrático. Entretanto, minha singela homenagem vai para aqueles gremistas que emprestaram seu apoio, torcida, fé e esperança nos piores momentos do clube no passado recente. Para vocês, o Tri da América ainda é pouco!!!

Paradigma quebrado

Historicamente o tricolor é caracterizado pela bravura, pela garra, pela entrega, pela transpiração, pela disposição. Na conquista da América em 2017, porém, o tricolor promoveu uma quebra de paradigma: venceu embasado na imposição técnica, na troca de passes, no Futebol Além do Resultado que gera resultado! A final em La Fortaleza foi sintomática. Eis um legítimo campeão da América de fato e de direito. Nem foi preciso apelar para a imortalidade!

Tri histórico

O Grêmio foi o primeiro gaúcho campeão da América. Foi o primeiro dos pagos a sagrar-se bicampeão do Continente e, adivinhe: o ineditismo do Tri só poderia vestir azul, preto e branco. Com a conquista, o Grêmio se iguala ao São Paulo e ao Santos como maiores “copeiros” de Libertadores do futebol nacional.

Arena Portaluppi

Renato Portaluppi fez o que parecia impossível! Conseguiu a proeza de fazer ainda mais história pelo lado azul da força: é o único brasileiro a conquistar a Liberta como jogador e como treinador. A estátua para ele será pouco. Por que não rebatizar a Arena com o nome do eterno camisa 7???

Favoritismo

O Grêmio desfilou qualidade ao longo de toda a competição. Mais do que isso, honrou o favoritismo que tinha contra todos os adversários enfrentados: Iquique, Zamora, Guarany do Paraguai, Godoy Cruz, Botafogo, Barcelona do Equador e Lanús. Aliás, o Grêmio não enfrentou nenhum Campeão da América ao longo da jornada até a glória! Na Libertadores 2017 o Grêmio deu show na “arte de bater em bêbado”. Não existe demérito algum na conquista, mas é inegável que o caminho até o triunfo foi “menos difícil” do que poderia ter sido.

Lesões

As lesões do início da temporada foram cruciais para o reencaixe do Grêmio. Com todos os jogadores à disposição, Renato enfrentou sérias dificuldades para “dar liga” ao time e sequer chegou à final do Gauchão. Sem Marcelo Oliveira, Cortez assumiu a lateral canhota com louvores; Arthur herdou a volância de Maicon e já chegou a seleção principal e Luan virou ‘camisa 10’ sem Douglas e Bolaños ― jogando na única faixa de campo em que sabe: centralizado, ao contrário da insistência de Renato que o deslocava para os flancos.

BolzanMito

O presidente Romildo Bolzan Jr. é o principal artífice do Tricampeonato da América. Coube a ele a remodelagem do clube na era digital. Identificou os desafios e oportunidades e já fez história. Aliás, futebol requer tempo, rotina, insistência e repetição: a base tricolor joga junto e dentro da mesma estrutura tática há três anos, desde a Era Roger Machado.

Sem treinador

O Real Madrid é o atual bicampeão da Champions mesmo sem treinador (Zidane). O Grêmio é versão sul-americana da “anomalia”. Brincadeiras e exageros à parte, as duas equipes são embasadas nas individualidades e pecam pela falta de variação e repertório tático.Sempre que é bem marcado, por exemplo, o tricolor acusa a falta de conceitos mais modernos e arejados. Que sirva de alerta para o Mundial de Clubes.

Seleção tricolor

Marcelo Grohe merece um capítulo especial no livro chamado Tri da América. O volante Arthur, então, dispensa comentários. A dupla defensiva Geromel e Kannemann beira a soberba técnica. No ataque, Barrios tem rodagem e experiência internacional. Luan foi o craque da competição! Eis a “espinha dorsal” que irá para a Calçada da Fama da Arena.

Protagonista

A qualidade de Luan sempre foi inquestionável. O problema do camisa 7 era a timidez e a falta de “sangue” nas decisões. Desafio superado! O meia-atacante foi o grande protagonista da vitória de 2 a 1 sobre o Lanús em La Fortaleza. Quando tem espaço, o campeão olímpico “deita e rola”. Para o futuro da carreira precisa aprender a jogar com marcação cerrada. Na Espanha, o camisa 7 seria craque; na Inglaterra já não sei.

Mundial

A melhor notícia para os gremistas após a conquista do Tri é que o Mundial de Clubes já é “semana que vem”. Os tricolores não precisarão conviver com a ansiedade, tampouco, perderão os destaques da equipe para a famigerada janela de transferências, como ocorria no passado recente. E o principal de tudo: o Grêmio ainda está com as turbinas aquecidas, pulsante, no ponto. Aconteça o que acontecer, está preparado para o próximo desafio, agora, em dose planetária.

Foto: Juan Mambronata (AFP)

 

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