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Vitória da solidez e derrota com ironia

LEIA BLOG ESPORTE – SAUL TEIXEIRA

 

Contribuição

Responsabilizado pelos últimos tropeços do colorado, em casa, sobretudo, pelos equívocos em algumas substituições, o técnico Dunga surpreendeu positivamente, promoveu alterações no time, manteve a estrutura tática (4-2-3-1) em grande parte do jogo e contribui bastante com a vitória colorada sobre o Criciúma, em solo catarinense. Com o triunfo pelo placar mínimo, o Internacional é o quinto – a um ponto do G-4 — é o que sobrou para a dupla Gre-Nal em matéria de Brasileirão 2013.

 

Nova dupla

A solidez defensiva do Internacional foi a grande novidade da equipe e um dos maiores trunfos da jornada. Com as presenças de Airton e Josimar nas primeiras posições do meio, o time correu poucos riscos defensivos, além de brindar com mais liberdade os três meias – D’Alessandro, Alex e Otávio (autor do gol da vitória) – que puderam armar e chegar à frente, sem maiores preocupações defensivas, além do lógico recuo para a ocupação de espaços. Inferiores tecnicamente aos então titulares, Ygor e Willians, os suplentes entraram mais descansados, corrigiram a falta de proteção à defesa, ao menos nessa partida, e evidenciaram o que há tempos se diz: o grupo do Internacional reúne diversas alternativas. O desafio de Dunga é fazê-lo render mais. Contra o Criciúma o objetivo foi alcançado.

 

Patinho feio

Somados, Airton e Josimar fizeram 17 desarmes. Além disso, o segundo foi acréscimo no apoio, chegando como elemento surpresa, uma de suas maiores características. Destaque do setor no campeonato gaúcho, o camisa 27 está longe de ser unanimidade, mas a partir de agora, longe das lesões que o prejudicaram no segundo semestre, dificilmente deixará a equipe por um simples critério: a produtividade. Na tarde dessa segunda-feira (16) um dos únicos a treinar no Beira-Rio, no inovador treino facultativo foi justamente Josimar. Sobre Airton, o camisa 5 exagera nas faltas e logo deverá ceder espaço para Ygor ou para o próprio Willians que, assim, atuaria mais recuado – embora o camisa 8 renda muito mais na segunda função, em que pese suas más aparições nas últimas partidas, fator que o levou para o banco, justificadamente.

 

Setor esquerdo

Após longuíssimo e tenebroso inverno, o lateral esquerdo Kléber reeditou suas atuações de altíssimo nível, marcados pela qualidade nos passes, cruzadas e lançamentos, além de mostrar-se seguro na parte defensiva. Além dele, o meia Alex completou os primeiros 90 minutos desde seu retorno e foi outro responsável pelo sucesso da equipe. Além disso, a alta movimentação e troca de posições entre Alex, D’Alessandro (de grande atuação) e Otávio foram fundamentais para a vitória — Scocco, embora o esforço nos últimos jogos é segundo atacante e escalá-lo recuado, na meia, é um equívoco. Damião? Ah, ele segue sem marcar, embora novamente tenha contribuído com assistências. Ainda é pouco, claro, afinal, centroavante vive, fundamentalmente, de gols.

 

Alternância

Embora tenha iniciado a partida no 4-2-3-1, Dunga alterou a disposição tática da equipe na segunda etapa e migrou para o 4-4-2 em losango, como Airton recuado, Josimar na direita, Alex na esquerda e D’Alessando à frente— com a saída do camisa 10, Alex passou para a função e Willians entrou no setor canhoto. Com esse arranjo, a equipe ficou ainda mais compacta e depende apenas das condições físicas de Alex para tornar-se regra no restante da temporada. Aguardemos!

 

Presente de grego

No dia em que celebrava seus 110 anos de glórias e de história, o Grêmio não resistiu ao atual Campeão da América. Apesar de ter computado mais chances de gol que o adversário, acabou perdendo por 1 a 0, tendo no ex-gremista Victor, o maior empecilho para uma tarde de aniversário ainda mais digna de festa, na Arena. Com o resultado, o tricolor segue na terceira posição, com 37 pontos, mas aumentou a distância para o líder Cruzeiro – a diferença agora é de nove pontos. Título? Só por um milagre. O campeonato da dupla Gre-Nal, a partir de agora, é uma vaga no G-4.

 

Resumo

A derrota para o Galo evidenciou os velhos problemas da equipe – mesmo quando os bons resultados empurravam as mazelas para baixo do tapete. A insistência pelo esquema de três zagueiros, mesmo sem Werley; a inexplicável titularidade de Bressan e a vulnerabilidade do setor esquerdo defensivo; além da série de “chutões” como tentativa frustrava de ligação entre a defesa e o ataque. Enfim, a atuação foi uma síntese da segunda era Renato no tricolor. A única diferença foi o resultado.

 

Ironia

 

Após a surpreendente sequência de vitórias — que fizeram o técnico e ídolo tricolor comparar a campanha com a do Barcelona — porém, tendo como regra o pouco futebol, o tricolor provou do próprio veneno: perdeu em uma jogada de contra-ataque, em lance às costas de Bressan (baita novidade!). Além disso, outra ironia: os gremistas criaram mais chances que na maioria das últimas partidas, jogaram melhor que o rival, mesmo assim foram derrotados. Após ganhar tantas vezes “jogando feio”, desta vez, o Grêmio perdeu “jogando um pouco mais bonito”. É o futebol e suas ironias.

 

Caminho

Renato Portaluppi deve mandar às favas o outrora exitoso esquema 3-5-2, ao menos até o retorno de Werley. Pelas limitações técnicas de Gabriel e, principalmente, de Bressan, a equipe deveria migrar para o bom e velho 4-4-2, com dois meias ou até mesmo, uma formação mais ousada com três atacantes – em uma postura que dificilmente será posta em prática pelo comandante. Com os ingresso de Wendell e Jean Deretti no meio, no segundo tempo frente ao Galo, a equipe cresceu de produção — claro que impulsionada também pela necessidade de reverter o resultado —, mas a formação foi promissora. Aliás, o uruguaio meia Maxi Rodriguez foi destaque do treinamento realizado nesta segunda-feira (16). Além dele, Elano voltou a treinar com bola. Ou seja, se Renato não se abraçar a teimosia, o 3-5-2 está com os dias contados.

 

Drenagem em pauta

Eram 15 minutos da etapa final quando a deficitária drenagem da Arena forçou o erro de Réver (um dos melhores zagueiros do país) e possibilitou ao chileno Vargas, a “bola do jogo”. Porém, o camisa 17 desperdiçou a chance, na verdade, defendida pelo arqueiro Victor, que também pode ser creditada pelo excesso de água no gramado. Aliás, é inadmissível que um estádio da monta e envergadura da novíssima Arena apresente um pecado que não condiz com o justo rótulo de um dos melhores estádios do mundo. A baixa qualidade da drenagem provocou inclusive cobrança pública e oportuníssima do diretor executivo do clube, Rui Costa. Responsáveis pela Arena informam que o problema já foi corrigido. Menos mal.

 

Desabafo

Ao final da partida, o ex-gremista Victor, melhor atleta da partida, concedeu polêmica entrevista. Segundo o camisa 1, sua saída do Grêmio foi obra da então diretoria do clube e não como informado na época, que o colocava como “vilão da história”. Polêmicas à parte, Victor continua sendo um dos melhores arqueiros da pátria de chuteiras. Aliás, deve estar na Copa do Mundo do próximo ano, ao lado dos incontestáveis Júlio César e Jefferson, capitão do vice-líder Botafogo.

 

Agenda da bola

Na quarta-feira, às 19h30, o Grêmio recebe o Santos, na Arena. Na quinta-feira, às 21h, o colorado enfrenta o Bahia, no nordeste. Boa sorte à dupla.

Foto: Zero Hora

SAUL TEIXEIRA – JORNALISTA

 

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