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Crise na Educação é tema da sessão plenária na Câmara de Viamão

Grupo de professores e alunos da rede pública estadual se reuniu na Praça da Matriz, em Viamão, e caminhou até à Câmara de Vereadores, onde foi recebido pelos parlamentares, que devem encaminhar moção de repúdio ao Governo Sartori.

 

Um grupo de professores e estudantes viamonenses participou da sessão plenária da Câmara Municipal de Viamão nesta terça-feira (24), para pedir que os vereadores sejam suas vozes e representantes na luta pela justiça de melhores condições para a categoria e para as escolas públicas. O grupo solicitou também que os parlamentares encaminhem nota de repúdio ao Governo do Estado.

A partir de uma solicitação realizada pelo vereador Augusto Giraudo (PSOL), que protocolou junto à Secretaria da Câmara, o pedido de cedência da tribuna para a fala de alguns integrantes do movimento, a Mesa Diretora acatou a solicitação, cedendo a tribuna para o tema sobre educação. O presidente do Legislativo, Xandão Gomes (PRB), disse que existem coisas sagradas que devem ser cumpridas pelos governantes, e que entre elas estão os salários dos professores, técnicos na área da saúde e profissionais da segurança.

“Às vezes fico pensando, que país nós estamos construindo, onde educação e saúde são saqueadas”, lamentou o presidente Câmara de Viamão.

 

Escolas rurais correm o risco de paralisar pela falta de professores

Os dados apresentados pelo professor das escolas rurais Francisco Canquerini e Adonis dos Santos, Lucas Nunes de Souza, causou mais revolta aos integrantes do movimento, que ocupou o plenário da Câmara. De acordo com Lucas Souza, o salário de um professor na rede pública estadual, hoje, é de R$ 1.165,00 e o auxílio de difícil acesso, que representa pouco mais que R$ 500,00 já corre o risco de ser retirado dos professores que lecionam em escolas afastadas dos centros urbanos.

“O município de Viamão está sofrendo e vai sofrer ainda mais, a partir do momento que a categoria não tiver uma resposta e solução, principalmente para aqueles que hoje integram escolas de difícil acesso. Viajamos muito para dar aula e o deslocamento, que representa pouco mais que R$ 500,00 corre o risco de ser retirado de nós”, disse. Ainda segundo o professor, escolas com a Francisco Canquerini correm sério risco de ficar sem professores.

 

OS 0,33 CENTAVOS – Outro problema que foi pauta da sessão, é o valor de repasse hoje feito para as escolas estaduais, entre eles os R$ 0,33 centavos, verba para a merenda escolar por alunos. “Eu trago estes números para que possamos refletir”, finalizou Lucas Souza.

 

150 escolas estão ocupadas pelos alunos no RS

O presidente do Grêmio Estudantil do Instituto de Educação Isabel de Espanha, Leonardo Ayres também teve a oportunidade de ocupar a tribuna. Durante a fala, o estudante garantiu que se os alunos não lutarem pelo direito do professor, de nada adianta reclamar no futuro. “Tudo que acontece hoje, prejudica diretamente o aluno. Nós ocupamos a escola e na última quarta-feira, a 28ª CREA esteve lá e nos amedrontou, dizendo que mandaria a polícia para a escola. A gente só quer uma educação de qualidade e queremos estudar. Muitos alunos não tem o que comer hoje dentro da escola. Só quero o apoio”, pediu o estudante.

A professora Denise Ferreira disse que ouvindo o estudante Leonardo Ayres, que aderiu a luta, renasce a força e renova o oxigênio da categoria. “Não faz um ano que ocupei este espaço (setembro de 2015), momento que dava-se início a toda problemática envolvendo a Educação no Rio Grande do Sul, mas infelizmente nada mudou, aliás, aliás piorou. Não estamos mais lutando por salários e sim por uma série de fatores para preservar o que restou, uma série de vantagens que integram o nosso salário, que já é baixo, e que estamos perdendo aos poucos”, conta Denise, considerando como a pior crise histórica na Educação do RS.

“Queremos que os senhores nos apoiem com a nota de repúdio e que seja encaminhada aos deputados estaduais e federais, com o objetivo de mudar este contexto. Pretendo voltar a este espaço, mas com a palavra de reconhecimento. Estamos em greve, uma greve que agrega, forte e significativa. Já são mais de 150 escolas ocupadas em todo o RS e os alunos estão mostrando a realidade. Chegamos a este patamar”, enfatizou Denise.

 

Vereadores falam sobre a situação dos professores

Serginho Kumpfer (PT) – “O Estado do RS já virou sinônimo de chacota no país. Mas tivemos o lado bom, que foi a movimentação dos alunos. O problema não é dos professores, mas do ensino e da educação pública. Estamos nos tornando repetitivos”.

Augusto Giraudo (PSOL) – “É muito triste a gente ver um governador fazer o que está fazendo com a Educação. Eu que fui Conselheiro Tutelar e que lutei pelos direitos das crianças e adolescentes, hoje vejo que não existe atenção, sendo que uma lei federal diz que toda criança e adolescente devem ser respeitados e que não é cumprido pelo nosso governador”.

Dédo Machado (PDT) – “Em 1982, comecei a entender um pouquinho de política. Nesta época minha mãe acampou na Praça da Matriz, naquela greve histórica do Governo Simon. Eu sei o que é ser filho de professor e sei o que é ser sustentado com salário de professor. Mas me orgulha muito ver um menino do grêmio estudantil, porque me faz lembrar da época que também fui presidente do grêmio no Walter Jobim e lutávamos pelos professores. Não consigo entender porque chegamos a este estágio. Estamos atravessando uma das piores crises”.

Eliseu Chaves Ridi (PT) – “Estamos de fato passando por um momento muito difícil, uma conjuntura difícil. O atual governo só diz que não tem dinheiro e estamos regredindo”.

Carlos Bennech (PMDB) – “Vivemos em um país que possui uma das maiores riquezas do mundo e os que estão no poder hoje, não querem que transformemos o mundo, a partir da educação. Os programas federais não tiveram mais recursos para ser continuados. Os dados são simples, 50% dos adolescentes que deveriam estar estudando, estão fora das escolas. Nós professores sofremos há muito tempo com este descaso, sem condições de trabalho e salários atrasados”.

Joãozinho da Saúde (PMDB) – “É lamentável, e não vamos tirar de ninguém a responsabilidade. É tudo farinha do mesmo saco e são tudo um bando de ladrão. Tem que tirar o auxílio moradia dos deputados, do judiciário e de executivos. Vivemos em um país, estado e município onde ainda se fecha escola, posto saúde e hospital. Eu não olho para partido e tenho vergonha”.

Valdir Elias, Russinho (PMDB) – “Alguns vereadores vêm aqui e falam uma coisa, mas fazem outra. O nosso governador pegou o estado quebrado, mas torço para que ele olhe para nós com carinho. Parabéns ao estudante Léo”.

Plínio Tiquino (PSDB) – “Dinheiro existe, mas onde todo mundo mete a mão fica difícil. O que há são gestores ruins e não podemos falar de partidos”.

Eraldo Roggia (PTB) – “O Sartori está destruindo a educação e a saúde do nosso estado. Não adianta ninguém vir aqui para defender este homem. O Sartori tem que saber que a Câmara vai enviar uma nota de repúdio para ele. A quebradeira deste estado vem desde a época da ditadura. Não adianta fugir das responsabilidades”.

Jefferson Huffell (PP) – “Quero expressar mais uma vez minha indignação com a situação do magistério estadual. Expresso todo meu apoio aos professores e alunos da rede”.

Nadim Harfouche (PP) – “O que as escolas fazem com relação a merenda é um verdadeiro milagre. Uma reivindicação justa. Quem paga hoje as dívidas do governo passado é a atual gestão, e aqui em Viamão não é diferente, sendo que a gestão do Bonatto já pagou cerca de R$ 60 milhões de dívidas do Ridi e do Alex. Através da Comissão de Educação desta Casa vamos tentar resolver alguma coisa”.

 

 

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