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Desbravando a América – parte 1 ( Argentina )

Desbravando a América - parte 1 ( Argentina )SAUL TEIXEIRA
“A viagem foi simplesmente perfeita”. Foi com este sentimento que o fotógrafo, publicitário e professor de design gráfico RODRIGO GORSKI, 28 anos, iniciou o relato sobre a sua aventura que durou 23 dias, com alguns mil quilômetros percorridos e muitas histórias para contar.
Morador da Santa Isabel, quarto distrito, ao lado de dois colegas de trabalho, Adriano Müller, 24 anos, e Sandro dos Anjos, 35, eles deixaram Porto Alegre no final da tarde do dia 26 de dezembro e retornaram na manhã do dia 18 de janeiro.
 Toda a viagem foi desenvolvida de ônibus até Cusco, no Peru, ponto final da empreitada. O primeiro percurso vencido foi Porto Alegre – Paso de Los Libres, com deslocamento posterior para Corrientes e Salta, ambos na Argentina. É justamente sobre as experiências vividas neste país que dedicamos a primeira parte deste especial.
Segundo Rodrigo Gorski, felizmente não houve nenhum imprevisto, o que permitiu que os aventureiros pudessem cumprir à risca o cronograma preestabelecido: “Em todas as cidades conseguimos chegar na rodoviária e já comprar passagem para o destino seguinte. Além disso, conseguimos localizar pouso rapidamente e com custos acessíveis”, disse.
Entretanto, para toda a regra existe uma exceção. Foi justamente isso que ocorreu logo na chegada a Paso de Los Libres, na Argentina, primeira parada longe do Brasil. Os três chegaram à cidade à meia-noite com a expectativa de embarcarem para Corrientes, no entanto o deslocamento ocorreu somente às 8h, devido a ausência de condução durante a madrugada.
Com a passagem na mão, o desafio passou a ser outro. Suportar uma viagem de 6 horas em um ônibus que parava praticamente em cada esquina e sem ventilação alguma, com todas as janelas emperradas. Vencido este trecho, a próxima jornada seria ainda mais desgastante. A viagem de Corrientes a Salta durou 12h com cerca de 850 km percorridos. O próximo passo foi cruzar a Cordilheira dos Andes, o primeiro grande ponto turístico visitado, quando a viagem, enfim, passou a ser justificada.

 

Ansiedade e beleza

Conforme Gorski, na medida que o ônibus vai subindo a Cordilheira, o ar se torna cada vez mais raro. Os 4.900 metros acima do nível do mar trazem uma desconfortável dor de cabeça, além de náuseas em alguns dos aventureiros. Em cada trecho, os três viajantes dividiam a condução com outros turistas: “No nível do mar, nós aspiramos e conseguimos abastecer o pulmão. Na altitude, no máximo enchemos meio pulmão, grosso modo falando”, explica.
Uma foto retirada por ele, ilustra bem o percurso quase assustador da Cordilheira do Andes, na parte Argentina, a outra é pertencente ao Chile. As curvas em formato “zigue-zague”, deixam o cenário semelhante a um desenho animado, embora o temor fosse tornando-se cada vez mais real: “Na cordilheira tudo e bonito, a paisagem muda a cada curva. A serra é chamada de Cuesta de Lipán e o mal-estar toma conta da gente conforme vamos subindo. A cada curva aumenta a ansiedade para chegarmos logo ao ponto”, relembra.

Na próxima edição
A Cordilheira dos Andes no lado chileno, o Deserto de Atacama e muito mais.

Foto: Rodrigo Gorski

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