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Um dia dedicado à mentira

por SAUL TEIXEIRA

Primeiro de abril tornou-se tradição cultural e causa polêmica na cidade

Ao contrário do que defendem as regras de convivência e bom costume, no dia 1° de abril é permitido mentir, sem que existam represálias. É claro que estamos falando de trotes, brincadeiras e anedotas, que beiram a ingenuidade. Desta forma, a mentira pejorativa passa longe da proposta da data, que busca bom-humor e diversão.

No Brasil, o primeiro de abril começou a ser difundido em Minas Gerais, onde circulou A Mentira, um periódico de curta duração, lançado em 1º de abril de 1848, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. Sobre o tema, fomos às ruas saber como a população encara o tradicional “dia dos bobos”.

Márcio Ulrich Medeiros

Comerciante do centro, Márcio Ulrich Medeiros, 38 anos,  pertence ao grupo dos politicamente-corretos. Para ele, a mentira não é bem-vinda nem mesmo como fruto de brincadeira ou sinal de esportividade: “Precisamos ter consciência dos fatos que fazemos e respondermos por eles, sem que sejam necessárias mentiras. É indispensável sermos verdadeiros, independente da situação. Sabemos que a verdade tem seu preço, mas não abro mão dela”, defende.

 

 

Juarez Menezes (Cafuringa)

Por outro lado, o funcionário público Juarez Menezes, popularmente conhecido com Cafuringa, enxerga a data como uma oportunidade de entretenimento e fuga das atividades rotineiras: “Eu gosto muito do primeiro de abril. Sempre faço piadas envolvendo futebol e também acabo caindo. Não vejo problema algum em termos uma data voltada à brincadeira. Precisamos enfrentar o mundo com mais humor”, disse.

“Não podemos confundir brincadeira sadia com algo danoso”. Este é o alerta feito pelo cobrador de ônibus Valtair Rodrigues, 56 anos, que afirma que a mentira é sinônima de pobreza de espírito e falsidade: “Nós sempre passamos um primeiro de abril para os colegas, amigos. Uma coisa é fazer piada e outra é mentir com intenção de prejudicar alguém. Eu não minto, inclusive estou falando a verdade para o jornal (risos)”, diverte-se.

Valtair Rodrigues

Mentira x celebração – O artista plástico Newton Vaz Coelho lamenta o fato de existir uma data dedicada à mentira e não a outras questões que mereceriam atenção e celebrações: “Infelizmente não temos o dia da medicina infantil, por exemplo. Seria uma data importante para discutirmos o tema e mobilizarmos a sociedade. Acho que o 1° de abril não está mais adequado ao nosso tempo e não atinge nossas expectativas quanto ao comportamento da nossa civilização”, argumenta.

 

Newton Vaz Coelho

Mentiras diárias – Para a empresária Elenita Andrade, 60 anos, a população brasileira é a maior vítima de mentiras de toda a humanidade. Conforme ela, graças a atuação da classe política, o Brasil mereceria mais dias dedicados à celebração dos “bobos”: “Mentira é o que fazem em Viamão. Ruas mal-sinalizadas, esburacadas, asfalto que não dura um ano sequer, faixa de segurança apagada. Outra coisa são as propostas de mudar nomes de ruas tradicionais. Os políticos nos mentem e renovam as mentiras de quatro em quatro anos. Esses são verdadeiramente os donos do 1° de abril”, disse.

Elenita Andrade reclama…

…da Rua Julieta Pinto César (antiga General Osório)

Origem – Uma das versões aponta que a brincadeira surgiu na França, no século XVI, quando o ano novo era festejado no dia 25 de março, sendo que as festas terminavam somente dia 1° de abril.

Porém, depois da adoção do calendário gregoriano, o réveillon passou a ser celebrado dia 1° de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram seguindo o calendário antigo, passando a mandar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam.

Saiba mais

  • Alguém que não consegue aceitar os truques, ou tirar proveito deles dentro do espírito da tolerância e do divertimento, também deve sofrer com a má-sorte, conforme a superstição.
  • Também se diz que aquele que for enganado por uma bonita menina será recompensado com o matrimônio, ou pelo menos a amizade dela;
  • O advento da internet como um meio de comunicação mundial serviu para facilitar os traquinas no seu trabalho;
  • Pessoas não-residentes no ocidente pouco conhecem o costume do Dia das Mentiras e são mais vulneráveis a peças na internet.

Fonte: wikipedia.org

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