Uma jornada de aprendizagem e encantamentos na Laguna dos Patos (Final)
Partimos de Arambaré até chegar à Ponta de Dona Helena, onde fizemos parada para descanso e ali passeamos por suas dunas de areias brancas cobertas parcialmente por uma exuberante vegetação nativa. Neste local também se observou restos de acampamentos de pescadores e viajantes que procuram estas áreas por oferecer, além da sua beleza, proteção dos ventos fortes tão comuns na Laguna dos Patos. Continuando a jornada cruzamos pelo Banco dos Desertores, que entra quilômetros Laguna adentro a partir do Pontal de Dona Helena, e rumamos numa linha quase retilínea de aproximadamente 24 quilômetros em direção a Tapes. Já dentro da Enseada de Tapes, num local com muitas dunas de areia serpenteadas por uma rica vegetação nativa, paramos para admirar algumas figueiras repletas de belas e floridas orquídeas.
Em contrapartida, constatamos que próximo delas também havia alguns pés de pinus que, infelizmente, começavam a invadir implacavelmente as dunas. Este novo vilão da mata nativa, plantado em grandes quantidades nesta região principalmente como matéria prima da celulose. Remamos até o Clube Náutico Tapense para fazer a nossa última parada. O Cel. Hiram achou um encantador filhote de tartaruga e após colocá-lo em um lugar seguro para sua sobrevivência, partimos para nosso destino final do dia.
Até a divisa de Barra do Ribeiro e Tapes
O dia estava nublado, frio e com um forte vento vindo do leste. Atravessamos o Saco de Tapes até o ponto mais estreito do Pontal de Santo Antônio. Logo que saímos da marina as ondas e o vento começaram a nos fustigar. Durante a travessia remávamos com força e muita concentração para não virarmos no constante sobe e desce das ondas que nos borrifava água fria por todo corpo. Foram quase duas horas de apreensão que felizmente transcorreram sem nenhum incidente até chegamos ao local da nossa pequena travessia terrestre no Pontal de Santo Antônio. Remamos 22 quilômetros até o local onde ficava praticamente a divisa dos municípios de Tapes e Barra do Ribeiro, e ponto de encontro com nossos apoiadores coordenados pelo Cel. Pastl, que viria num veleiro acompanhado de seus amigos Maj. Vitor Hugo e Maj. Nunes.
Analisando as opções para o término da jornada optamos por esconder meu caiaque atrás de uma duna para resgatá-lo numa data futura e rebocar o Cel. Hiram com seu caiaque até a Praia do Canto do Morro, situada a oeste do Morro da Formiga e local de uma colônia de pescadores. Na Praia do Canto do Morro nos aguardavam o Sr. Pedro e sua esposa Vera. Esta praia ficava bem protegida dos ventos e marcava o limite de uma enorme plantação de eucaliptos com a exuberante beleza natural do Morro da Formiga. Depois do lanche partimos na camionete do nosso amigo Pedro até Barra do Ribeiro. De lá seguimos até Porto Alegre no carro do Cel. Hiram conduzido pela Srta Rosângela nossa apoiadora no início da jornada.
Assim acabava a nossa aventura, estávamos um pouco frustrados por não tê-la completado na íntegra, pois faltara menos de quarenta quilômetros para o seu final, mas em compensação reconfortados pelas belas paisagens percorridas, pelos conhecimentos adquiridos e, principalmente, pelas novas amizades conquistadas.
